Ao me pedir um beijo, não peça, não fale, ache os espasmos de verde em meio ao infinito castanho dos meus olhos que te ofereço, de graça, o que você não precisa dizer, eu entendo mais do que quando gasta palavras feias e decifráveis para me tentar. Não há mulher que goste de cantadas diretas, pedidos indiscretos e palavras ao vento, gostaria que entendessem que gosto (gostamos todas) de sutilezas.
Por favor, ao me enviar uma mensagem de texto que chame em meu celular, faça com que eu te responda, em três silabas ou três páginas, me de razões para ir além da tela do computador, me faça ter vontade de devorar livros inteiros para encontrar meu final feliz. Não queira meu abraço, abrace, longamente até que nossos corpos cansem de se entrelaçar e optem, sozinhos, pelo afastamento ou pela intimidade.
Não há nada melhor do que quando alguém me faz entender o raciocínio de sua alma ou quando desvendo o enigma de olhares e sorrisos, não há nada melhor do que ler textos nas entrelinhas e se achar neles em cada palavra. Deixe-me dançar com o rosto colado no seu ombro enquanto finjo que presto atenção na aula em que pés não se esbarram entre si e a música abafa qualquer outro som entre meu ouvido e o seu. Você sabe quais são as minhas intenções, eu sei que você sabe.
O melhor de ser sutil é entender verdades que parecem mentiras e ter engenho para construir muralhas entre falar e dizer, quero que ouça minha música preferida e saiba exatamente o porquê dessa minha predileção e seja sutil o bastante para que eu nunca saiba se sua vontade é maior que a minha, a vontade de termos a nossa música.
Quando achar que de sutilezas já basta, coloque um ponto final, melhor, coloque-me contra a parede (literalmente), porque nada melhor do que uma estupidez agradável, depois de um tempo de delicadezas e finésse. A falta de palavras é a melhor resposta para as meias palavras.
